Bem-vindos ao cinema sonoro de Guest Directors

Gary Thorstensen

Gary Thorstensen, que viveu a era de ouro do grunge nos anos 90 como guitarrista do superpoderoso TAD, fala sobre seu projeto atual chamado Guest Directors, mais uma banda potente de Seattle. Com influências que vão do post-shoegaze rock, dream pop, power pop ao noise rock. A banda vem lançando nesses últimos 4 anos alguns EPs, e Gary nos conta sobre a trajetória do grupo desde o princípio até agora. Bem-vindo ao mundo das jazzmasters encharcadas em reverb orquestrando uma sinfonia distorcida e viajante…

[Zine Musical] Gary, quando tudo realmente começou?
Gary Thorstensen: Realmente começamos logo de cara na nossa primeira jam juntos em julho de 2016. Julie D e eu nos conhecemos, e ao tomar um café, depois de trocar algumas gravações, decidimos reservar uma sala de ensaio para uma sessão de 3 horas.

“Eu vim com algumas ideias preparadas, mas saíram pela janela quando as plugamos. Começamos a tocar e o tempo voou. Foi natural, complementar e um sentimento mútuo que nos fez um ‘clique’. No fim de semana seguinte, Rian Turner se juntou a nós na bateria, e aconteceu novamente por mais três vezes… um fluxo instrumental espontâneo de exploração.” Gary Thorstensen

TAD: Gary, o primeiro da esquerda para a direita (Foto: last.fm)

Naquela época, estávamos em outras bandas também, então nos reunimos uma vez por mês para tocar e gravar ideias. No outono, percebemos que realmente queríamos fazer shows, então eu chamei Steve Melle com quem já havia tocado baixo e comecei a procurar um cantor. Não ia tão bem, então, depois das férias, decidimos intensificar e fazer os vocais nós mesmos. Fomos em frente e reservamos um tempo no estúdio Witch Ape Studio, com meu amigo Tad Doyle (vocal e guitarra do TAD) no início da primavera e saiu These Beautiful Things (2016).

[Zine Musical] Por que o nome Guest Directors?
Gary Thorstensen: Isso veio da Julie. Você tem que ter um nome, então montamos uma lista e cada um de nós escolheu alguns que gostamos e esse nome acabou em todas as nossas escolhas. Nós fizemos a escolha certa, aparentemente depois percebemos que por causa da afinação específica da guitarra que eu uso, a maioria das nossas músicas acabam sendo no tom de G (sol) ou D (ré) – notas musicais – as iniciais para Guest Directors!

Guest Directors no Earwig Studio (Foto: Divulgação)

[Zine Musical] É nítido o quão poderoso e incrível é a atmosfera que vocês são capazes de criar juntos. Apesar das linhas de baixo impressionantes, bateria dinâmica e voz viajante de Julie, suas guitarras se unem tão bem harmonizando e aprofundando-se em distorções e reverberações…
Gary Thorstensen: Todos esses elementos citados junto a nossas linhas de guitarra telepáticas e suas tonalidades são realmente a base do nosso som. Todos nós tocamos música há muito tempo antes mesmo do Guest Directors e, com essa banda, parece haver um bom consenso geral sobre quando e onde apertar as coisas, bem como quando manter as coisas soltas. Fizemos o básico ao vivo juntos na sala. Sendo os guitarristas os primeiros, nós dois tínhamos ideias para os overdubs que ouvíamos em nossas cabeças. Julie fez o trabalho pesado nos vocais e letras. Neste sentido ela realmente se entregou.

[Zine Musical] O EP Captured in the Light tem uma vibe mais pós-punk e dream pop. O que mudou vocês desde o primeiro até o segundo EP? Este ainda tem uma textura obscura, mas é mais limpo em comparação com o EP anterior.
Gary Thorstensen: Vocês perceberam isso! Nós não entramos neste EP com nenhuma ideia de mudar a maneira como trabalhamos ou de como soar, mas as circunstâncias e o cronograma se complicaram. Na verdade, voltamos ao estúdio do Witch Ape para fazer o básico novamente e descobrimos que Tad havia acabado de obter uma nova configuração no estúdio que ele ainda estava se adaptando, então acabamos sendo a cobaia. Também fizemos algumas gravações e mixagens no Earwig Studio — onde mais tarde gravamos Dream The Currents (2019). Gravamos vocais no estúdio de Aileen Paron, bem como algumas mixagens com Steve Fisk. Eu realmente não posso dizer se é por isso que soa diferente, mas, em retrospectiva, estou feliz que sim. Também agora me ocorre como é descritivo o título do EP!

[Zine Musical] Por que Steve Melle deixou a banda?
Gary Thorstensen: Steve acabou comprando uma casa que ficava mais de uma hora fora de Seattle, de modo que a logística não era boa para nos reunirmos quantas vezes quiséssemos. Ele nos disse que não queria nos impedir. Ah, pelo menos foi o que ele disse!

Guest Directors (Foto: Divulgação)

[Zine Musical] A banda se consolida sonoramente com o sólido e poderoso EP Dream The Currents de 2019. Depois de 3 anos, vocês têm uma química mais confiante, mas é curioso porque Charles Russo acabou de entrar no grupo. Como foi esse momento?
Gary Thorstensen: Quando Steve decidiu deixar o grupo, as coisas voltaram como quando começamos, então continuamos tocando e gravando ideias. Nós sempre tocamos de ouvido e usamos muitos acordes parciais, quebrados, que podem ou não se relacionar com uma linha de baixo, de modo que realmente o baixo se torna a espinha da música. À medida que as músicas se desenvolviam, começamos a fazer demos de garagem com a banda. Rian arrebentava as partes do baixo (também um guitarrista talentoso), aí já havia alguma direção. Charlie estava ocupado tentando decodificar nossa abordagem mais intuitiva. As músicas que escolhemos para o Dream The Currents acabaram sendo bastante diversificadas estilisticamente, o que também é uma coisa intuitiva para nós. A música Minor Mendings foi testada pela primeira vez quando fizemos o Captured in the Light (2018), mas os resultados nos convenceram de que ainda não estava pronta, portanto, gravar-la definitivamente dessa vez foi realmente gratificante. O EP terminou do começo ao fim nos Earwig Studios, trabalhando com Don Farwell.

[Zine Musical] A propósito, Dream The Currents saiu entre os 100 melhores lançamentos do ano na ilustre revista Big Takeover. Como você se sente com o feedback do público sobre o grupo?
Gary Thorstensen: Sim, o lance da Big Takeover foi um grande incentivo moral que saiu do nada, e qualquer reconhecimento grande ou pequeno é legal, incluindo esta entrevista! Nossos principais esforços têm se concentrado nas atividades de escrita, gravação, arte.

[Zine Musical] O Guest Directors já têm 4 videoclipes, mas eu gostaria de destacar Minor Mendings. É realmente uma viagem! Como foi fazer este?
Gary Thorstensen: Essa música acabou sendo algo que eu acho que todos temos orgulho. Certamente passamos muito tempo trabalhando em seu arranjo, obtendo as transições da maneira que queríamos, combinando melodia, ruído, escassez, feedback, agressão e um final perfeito! Tudo basicamente a partir de uma ideia de 2 acordes que começou espontaneamente a partir de um congestionamento e vontade de explorar. O vídeo é insano, e foi feito pelo misterioso Charles Russo.

[Zine Musical] O que mudou dos anos 90 para os dias atuais? Você pode nos contar um pouco sobre sua experiência tocando no TAD?
Gary Thorstensen: A única coisa que não mudou é a ambição de escrever e tocar, de resto tudo mudou! TAD foi uma experiência monumental de várias maneiras. Sou grato por ter entrado nesse trem e visto o mundo.

[Zine Musical] Quando o Guest Directors vai lançar novo material?
Gary Thorstensen: Bem, de momento nós já temos um conjunto de músicas. Tínhamos reservado tempo para gravar no início de maio, mas isso mudou devido à Covid-19. Por enquanto está na gaveta até que tudo acabe, eu creio.

Edição: Michel Pozzebon
(Zine Musical)

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