Cat Head, a porção musical de Al Petroni

Al Petroni é uma multiartista de mão cheia. Entre pincéis e guitarras, ela divide seu tempo, mostrando qualidade ao seu trabalho. Um deles é o Cat Head, projeto musical que bebe da fonte grunge dos anos 90, sem se replicar e mostrando ao que veio.

Em abril, lançou seu segundo single Dogs. O primeiro foi Pieces Of A Particular Hell, liberado em setembro do ano passado e que teve boa aceitação tanto dentro quanto fora do País.

O Zine Musical bateu um papo bacana com Al Petroni. Confira a entrevista na sequência:

Como consegue se dividir em tantas posições artísticas, sendo uma multiartista?
Al Petroni: Não é simples (risos)! Mas também não é um monstro de 200 cabeças. O horário que eu tenho — e gosto — para compor, pintar, etc, é a noite e na madrugada. Isso se estende até o outro dia começar… até dar 6h da manhã. O clipe que gravei para Pieces Of A Particular Hell, comecei a rabiscar ideias às 22h e às 6h da manhã do outro dia, já havia concluído o vídeo. Não comi e não fui ao banheiro até terminar. Ridícula, não é? Sou hiperativa e isso ajuda bastante.

A ideia de montar a Cat Head surgiu como?
Al Petroni: Começou cedo. Eu anotava ideias de poesias e rimas soltas. Depois pegava o gravador de fitas e balbuciava ideias para linha vocal. Pegava o violão e gravava riffs e bases. Pegava o caderno e uma caneta e passava tudo em forma de tablaturas. Cat Head foi uma consequência e é fundamental para eu ter um ‘escoamento’ desse meu lado musical. É onde tenho espaço e, literalmente, voz para fazer isso.

A Cat Head você vê como uma banda ou como uma one woman band?
Al Petroni: Cat Head é um projeto. É também uma dimensão onde posso deixar fluir essa minha porção musical — que sim, mistura-se com a minha porção das artes visuais, seja quando elaboro uma capa para os singles, ou quando pensei e fiz o clipe da Pieces Of A Particular Hell. Quando gravo em estúdio preciso de baterista e baixista, que acaba sendo uma collab, como nos singles Pieces Of A Particular Hell e Dogs, na gravação das linhas de baixo e de bateria. Foi uma collab muito fluída com o Pulito. Ele capta e respeita o que levo, penso e quero produzir.

“Cat Head é um projeto. É também uma dimensão onde posso deixar fluir essa minha porção musical — que sim, mistura-se com a minha porção das artes visuais, seja quando elaboro uma capa para os singles, ou quando pensei e fiz o clipe da Pieces Of A Particular Hell.” Al Petroni

Você lançou dois singles nas plataformas digitais. Como você vê esse momento atual, em que mídias físicas se tornaram obsoletas, dando espaço para formatos digitais/virtuais?
Al Petroni: Sou da ‘Era das Fitas Cassetes e do Vinil’. O disco físico, a capa e o encarte, sempre foram uma experiência de apreciação artística para mim. Na questão das mídias físicas, sinto falta de tocá-las e enxergá-las em três dimensões: a altura, a largura e a profundidade. Ah, e as texturas dos materiais usados. Porém, não penso nas mídias digitais/virtuais como algo ruim ou ‘triste’ artisticamente falando. A mídia digital aliada à internet, possibilitou que muitos artistas independentes e sem grana, pudessem fazer sua música ultrapassar limites transcontinentais, sem ter que pagar por prensagens de discos, impressões de encartes e gastos logísticos para as entregas de discos, por exemplo. É fantástico!

Há planos de lançar um trabalho cheio, ou pretende manter o formato de single?
Al Petroni: Penso em lançar mais um single esse ano. Já sei qual a música que irei gravar, e se chama Judges. Gravar EP é um caminho natural. Veja: em setembro do ano passado lancei o primeiro single, Pieces Of A Particular Hell, e em 5 de abril lancei Dogs. O primeiro single tocou em diversas rádios brasileiras, desde o Sul do País, até o Rio de Janeiro, na cidade de São Paulo e no litoral de São Paulo. Tocou em rádios dos Estados Unidos — de Nova York e Los Angeles — e foi por duas vezes selecionada para a lista do TOP 21 Alt Rock na Indie Star Radio, nos EUA. Ficou em 2º lugar no TOP 21 Alt Rock pela opinião pública. Na gringa! É louco! Tocou numa rádio da Colômbia, e rolou uma entrevista. Tocou durante dois meses na Lucky Star Radio de Los Angeles. Sei lá… Não penso em parar não.

“A inspiração vem. Eu não procuro… Como posso dizer? A inspiração vem como uma pedrada na cabeça. Você não imagina que está vindo (risos). Normalmente é envolvida com meu cotidiano. Um acontecimento que me toca muito. É um caso policial que me choca.” Al Petroni

E quais as suas influências dentro da música?
Al Petroni: Não posso deixar de citar a primeira fase do The Cure, Mudhoney, bandas thrash metal dos anos 80, Nirvana, Alice in Chains, Babes in Toyland, bandas góticas dos anos 80, Kristin Hersh, Fiona Apple, Kate Bush, sludge metal, bandas alternativas dos anos 90, Siouxsie and The Banshees, Enya, Sinéad O’Connor, Tori Amos, Cocteau Twins, a galera da Motown Records, old school hip hop, o synth-pop dos anos 80, Oingo Boingo, o new wave, Devo, Peggy Lee, Marilyn Monroe, Os Três Tenores, Mozart, Giuseppe Verdi, Johann Sebastian Bach, Cyndi Lauper, era disco dos anos 70, Tina Turner, Prince… Obviamente, tem coisas aí que eu indiquei que não ‘conversam’ com minha música, mas eu sei que de alguma maneira, eles me provocaram a fazer música.

De onde você busca inspirações na hora de compor?
Al Petroni: A inspiração vem. Eu não procuro… Como posso dizer? A inspiração vem como uma pedrada na cabeça. Você não imagina que está vindo (risos). Normalmente é envolvida com meu cotidiano. Um acontecimento que me toca muito. É um caso policial que me choca. Um problema relacionado a uma dor física ou emocional, raiva ou angústia. A melodia e a linha vocal vem. A letra vem. Eu imagino que, quem entra no Bandcamp ou SoundCloud da Cat Head vê dois singles apenas, mas existem outras músicas. Falta o ‘cash’ para serem gravadas em estúdio.

Edição: Michel Pozzebon
(Zine Musical)

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