O mundo dissonante de Ayuso

Músico também é vocalista e guitarrista da Monaural (Foto: Divulgação)

Ayuso já é figurinha carimbada da cena independente de São Paulo. Lançou discos à frente de sua banda Monaural, ativa até hoje, em que mostra a urgência grunge reinante nas músicas do grupo. Porém, depois de 15 anos, nosso herói resolve enfim desacelerar e deixar as guitarras de lado, para divulgar seu trabalho solo, Mundo Dissonante (2018), com as guitarras dando lugar a violões e vocais bem colocados, num ambiente neo folk.

Em entrevista ao Zine Musical, Ayuso falou sobre seu novo trabalho:

Por que lançar um disco solo depois de 15 anos à frente de uma banda? Já era um projeto pensado anos atrás?
Ayuso: Porque está cada vez mais difícil unir pessoas em prol da música de forma consistente e sincera. Isso geralmente acontece quando somos mais jovens, aquela coisa de colégio. Antes não era. Eu já havia cogitado vender tudo e arranjar um emprego comum, entrar para a igreja e parar de “usar drogas”, mas a necessidade de me expressar e fazer o que eu realmente gosto sempre falou mais alto e acabei cedendo. É aquela coisa… pedi mais uma rodada e acendi mais um cigarro, tô no role, vamos lá!

E como foi produzir tudo sozinho, da produção até a concepção das músicas?
Ayuso: Sofrido e entusiasmante ao mesmo tempo. Muitas vezes surtei durante o processo e quis parar tudo, mas o meu objetivo foi mais forte. Deixei fluir de forma natural. As músicas vieram aparecendo, as letras, as melodias, os sentimentos… daí fui registrando, testando, refazendo. Até chegar num resultado que me agradasse os ouvidos. No geral, foi bem rápido, embora eu tenha quebrado a cara uns meses antes com minha primeira demo, na qual já ganhei alguma bagagem no quesito de produção mesmo.

Capa de Mundo Dissonante (Foto: Reprodução)

Mundo Dissonante mostra canções com letras bem metafóricas e até pesadas em certos momentos. Tem muito do seu lado pessoal nelas? Qual é a inspiração?
Ayuso: Sim, obviamente, sou eu o tempo todo. Mundo Dissonante é a minha visão do mundo de agora, o imediatismo, os excessos, as injustiças, as doenças psicológicas, religião, dificuldades, caos social, etc.

Qualquer Miserável foi feito num período meio barra pesada pra você. Como foi isso?
Ayuso: Como eu disse, havia desistido de tudo, inclusive de viver. Não me encontrava de forma alguma nesse mundo. Ainda não me encontro cem por cento. Mas, pelo menos fazendo música, eu ainda sinto algum prazer e me dá novas esperanças para poder, quem sabe, mudar a cabeça de alguém sobre algo, ou apenas unir as pessoas para que elas possam se divertir e refletir sobre os problemas da atualidade. E, essa pressa em me tornar vivo, em me reafirmar, me fez gravar aquela demo, torta, um pouco anuviada. Porém, foi o primeiro passo. Reconhecer que nada sou e que agora preciso ser alguém novamente.

Havia desistido de tudo, inclusive de viver. Não me encontrava de forma alguma nesse mundo. Ainda não me encontro cem por cento. Mas, pelo menos fazendo música, eu ainda sinto algum prazer e me dá novas esperanças para poder, quem sabe, mudar a cabeça de alguém sobre algo, ou apenas unir as pessoas para que elas possam se divertir e refletir sobre os problemas da atualidade.

Já tem datas fechadas para divulgação do disco em algum evento ou local?
Ayuso: Sim, tem sim. A minha estreia ocorre no dia 24 de maio, em Curitiba/PR, no Saint Patricks Pub, junto com o Beer. Depois somente em agosto no dia 10, em São Paulo/SP, no Estúdio Aurora. E, em Florianópolis/SC, dia 11 de agosto, no Taliesyn.

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