Vênus In Fuzz: caos e poesia

Quarteto foi formado em 2015, em João Pessoa/PB (Foto: Divulgação)

O Vênus In Fuzz surgiu em 2015 na cidade de João Pessoa/PB, mostrando que pode-se fazer muito com poucos acordes e muita dissonância entre o caos e a poesia que emana do pós-punk/ shoegaze da banda. Formada por Gilberto Bastos (vocal e guitarra), Igor Silva (baixo, voz, theremin e synths), Tarcísio Victor (guitarra, synths e theremin) e Angie (bateria e synths), o grupo lançou três trabalhos – o mais recente é um homônimo, lançado em julho do ano passado via Mardito Discos.

Conversamos com Gilberto Bastos, vocalista da Vênus In Fuzz, para saber mais sobre o último trabalho do quarteto paraibano. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

Gilberto Bastos (Foto: Divulgação)

Você é de Recife e foi morar na Paraíba faz alguns anos. A ideia de montar a banda já veio lá de Pernambuco?
Gilberto Bastos: No Recife, na verdade, em Olinda eu participava de uma banda chamada Starfuzz, que tinha fortes influências no Pin Ups e no Killing Chainsaw. Quando por motivos de trabalho eu me transferi pra João Pessoa e tive que sair da banda. Tentei realmente montar uma outra história, mas não fluiu. Então vivi um ostracismo de uns oito anos. Até montar o que hoje é o Vênus.

E de onde vem o nome da banda?
Bastos: Vem do Velvet Underground. A belíssima Venus in Furs, que sintetiza também a ideia da banda.

Nota-se um certo lirismo nas letras. De onde vem essas referências?
Bastos: Há duas formas de composição no Vênus: poesia e crônica. Eu e Igor. Nós nos convergimos com essas formas e mandamos nosso recado direto. É angustia, caos, realismo e esperança numa simetria literária misturando-se com nossa liberdade sonora. No próximo trabalho essa mistura estará mais presente.

O VIF faz um som bem shoegazer, viajandão, cheio de efeitos. Além do pós-punk e shoegazer, o que rola mais no caldeirão de influências sonoras?
Bastos: Somos uma fusão de ideias. Apesar de estilos definidos, mas não tanto explícitos, buscamos difundir a liberdade do improviso. Criamos canções com bases simples. Repetitivas e livres. Nosso som pode ir de três a 30 minutos. Somos livres para levar o som. Ouvimos muitas bandas, mas não adianta dizer que somos influenciados pelo My Bloody Valentine e não soarmos como a banda. Na verdade, é um saco associar a influência ao som. Acho que somos noise e absorvemos muitas ideias.

Ouvimos muitas bandas, mas não adianta dizer que somos influenciados pelo My Bloody Valentine e não soarmos como a banda. Na verdade, é um saco associar a influência ao som. Acho que somos noise e absorvemos muitas ideias.

Fale sobre cada um dos três trabalhos da banda (produção, gravação e alguma informação interessante).
Bastos: Room Tapes – uma ideia de gravar com celular a energia da banda ao vivo no estúdio. Um trampo simples e direto. Tipo faz essa porra tu mesmo! Sem frescura, filtros ou nada. Tipo sinta a banda desnudada.
Juntar as Ideias – foi um trampo num estúdio bacana com a coordenação de Ilsom Barros (Zefirina Bomba, Coalizão), tipo montar um set de estúdio comum a seis bandas e gravá-las na tora. Foi muito bacana. O lado ruim é que éramos os estranhos no ninho, sonoramente e sentimos falta dos ruídos, microfonias e ambiências que a Máster suprimiu. Até porque as outras bandas eram rock, punk e suas vertentes. Mas foi um início. Um conhecimento de produção. Enfim, foi positivo.
Vênus in Fuzz-ST – esse sim foi o marco definitivo do nosso som. Muito bem compreendido pelos produtores Marcelo Piras e Pepeu Guz. O processo de gravação foi algo espetacular. Bem pensado e discutido. Aprendemos muito e solidificamos a atual formação. O EP ainda vem rendendo frutos Brasil adentro e fora dele. Gerando trocas de ideias e intercâmbio.

O novo EP veio com a marca do Silo Records, selo esse que vocês criaram. Pretendem lançar outras bandas além de trabalhos do Vênus In Fuzz?
Bastos: O Silo Recs. Foi uma necessidade, visto que entendemos uma realidade em que não haja fronteiras corporativas e moralistas. Lançamos nosso EP e estamos finalizando duas bandas fabulosas (As Margaridas em Fúria e a Matriarcaos). Podem ter certeza que serão dois belos lançamentos. Ainda temos outras bandas trabalhado pra lançar bons materiais. Aguardem que logo mais criaremos uma bela página e estaremos abertos a sacar bons materiais, desde que estejam em simetria com nossos ideais e nosso manifesto.

Durante a existência da banda, vocês passaram por várias formações e agora estão com integrantes já bem fixados. Como foram essas transições? Atrapalhou em algo?
Bastos: A Vênus teve algumas formações diferentes, mas nunca perdeu a essência. Todos tiveram importância e tenho o carinho por todos. Foram importantes e somaram a história da banda. Por questões do dia a dia nos separamos o que abriu a possibilidade de fecharmos nessa formação atual. Algo assim meio familiar, visto que nos curtimos demais. Essa formação é mais intensa. Mais próxima e contundente. Banda tem que ter essa cumplicidade. Amor em estar juntos. Acho que a Vênus In Fuzz é isso: amor em estar juntos.

Essa formação é mais intensa. Mais próxima e contundente. Banda tem que ter essa cumplicidade. Amor em estar juntos. Acho que a Vênus In Fuzz é isso: amor em estar juntos.

CDs, vinis, k7’s… esses formatos vem resistindo, morrendo e renascendo como dizem algumas pessoas. Qual sua opinião sobre isso?
Bastos: Ouço tudo e tenho tudo. Tenho K7’s de minhas antigas bandas, que me fazem buscar referências, tenho demos de muitas bandas que curti demais na fase das trocas de cartas. Vinil? Nunca me desfiz de meus discos. Nunca. Ouço-os com o mesmo prazer, longe desse boom de relançamentos. Até porque muitos desses relançamentos tenho originais. Mas, não sou colecionador; apenas cultivo o material que não desfiz e junto com o que consigo pegar por aí. CD eu respeito e defendo. Infelizmente, não conseguimos captar uma grana pra prensar nosso EP. Uma pena. Espero que o próximo álbum tenhamos essa sorte. Mas, estamos em todas as plataformas.

E lançar trabalhos por plataformas virtuais ainda é válido?
Bastos: Toda forma de divulgação é válida. É demagogia ser contrário. No Bandcamp, nossos EPs são gratuitos. Queremos que sejam. Nosso som tá no Deezer, no Spotify, no Napster, entre outras plataformas virtuais. Escolham as suas e enjoy it.

Mais Vênus In Fuzz
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Edição: Michel Pozzebon
[Zine Conteúdo]

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