Flanders 72 troca uma ideia com a gente

Paulinho Tscherniak (Foto: arquivo pessoal)

Conversamos com Paulinho Tscherniak, guitarrista, compositor, vocalista e fundador do trio punk rocker gaúcho Flanders 72. Ele falou sobre punk rock, parcerias, e destacou a experiência internacional da banda, entre outras coisas. Confere aí!

Fica bem claro em alguns clipes de vocês um humor meio debochado, como You Look So Cheesy e Punk Rock Blood. Na tua visão, o punk rock se propõe a ser um som engraçado?
Paulinho Tscherniak: Acredito que o punk rock seja debochado e engraçado, assim como os Ramones cantavam sobre “bater no pivete com um bastão de baseball”, “querer estar sedado” ou sobre “cheirar cola”. O punk rock é “diversão” em sua raiz, mas claro, também falamos bem sério em algumas de nossas músicas.

Paulinho Tscherniak (Foto: Diogo Nunes)

Vocês encarnaram aquele lema do punk, “do it yourself”. Trabalham na produção dos clipes, na divulgação da banda, entre outras coisas. É mais legal assim, se envolver em tudo, ou seria melhor só subir no palco e tocar?
Tscherniak: Eu sou um apaixonado por tudo isso: compor, tocar, gravar, criar, fazer acontecer… Gosto de sempre estar envolvido em novos planos, novas ações, sempre estar criando algo. Acho que se tivéssemos uma produção cuidando dessa parte toda e me sobrando só o “subir no palco e tocar” eu não seria tão feliz (risos).

Em muitos clipes aparecem lugares de São Leopoldo – cidade natal da banda – como pano de fundo. Isso se deve mais a uma questão prática de produção, ou vocês querem realmente passar essa identificação com a cidade?
Tscherniak: Um pouco das duas coisas. Gostamos muito de mostrar o nosso cenário da vida real, os lugares que fazem parte da nossa história. É muito legal mostrar nossa cidade nos clipes ou homenagear, por exemplo, o time de futebol da nossa cidade. Mesmo São Leopoldo não sendo o lugar ideal para manter uma banda de rock, temos muito orgulho daqui. Ah, e claro, facilita muito sim!

O segundo disco, Dummyland (2013), tornou a banda conhecida na Europa por meio de um fanzine. Depois disso, vocês chegaram a excursionar por lá. Conta um pouco dessa experiência.
Tscherniak: Sim, o Dummyland nos abriu muitas portas para o exterior. Saímos em uma matéria muito legal em uma revista muito conceituada na Alemanha, chamada OX Fanzine (apesar do nome ser fanzine, é uma revista grossa, muito popular no hardcore/punk rock europeu). A partir daí conhecemos nosso booker e dono do selo que lançou o Atomic (2016) em LP na Europa: Mr. Axel Gundlach, também conhecido como Gundinho, que foi homenageado em uma música do disco.

Show acústico da Flanders 72 no museu dos Ramones, em Berlim

Fizemos a primeira tour em 2014, tocamos na Bélgica, Alemanha e fizemos uma entrevista em Londres, Inglaterra. Foi uma experiência mágica, tanto como banda quanto de vida mesmo. Fizemos um show em um lugar que eu sempre sonhei conhecer: o museu oficial dos Ramones, que fica em Berlin. Também tivemos a oportunidade de dividir o palco com bandas que somos muito fãs como The Manges (Itália), Dee Cracks (Áustria) e Mike TV (Inglaterra).

Em 2017, fizemos a Atomic Tour na Alemanha, a tour do nosso primeiro LP. Foram 10 shows na corrida, um atrás do outro, dando a volta no país. Uma baita experiência como banda. Tocamos em bares incríveis e até em um barco/pub, que foi a experiência mais louca que a banda já provou. Foi muito legal chegar nos lugares de show e conhecer fãs da banda, pessoas que acompanham teu trabalho que é feito aqui nesse nosso cenário de clipes que é São Leopoldo. Foram dias de sonho, muito cansaço e de muitos km rodados em uma van.

Joe Queer vestindo camiseta da Flanders 72

Das parcerias com Joe Queer e Rafael Malenotti, entre outras, ficou algum aprendizado, alguma dica bem legal que os caras passaram pra vocês?
Tscherniak: Sim, que temos que acreditar na magia do rock and roll e ir atrás! Por exemplo, sempre fui fã do Queers, desde o ensino médio, um dia escrevi um e-mail pro Joe e ele me respondeu, ficamos amigos e, mais tarde, ele gravou uma participação (na verdade duas) com a gente em Totally Right, do Dummyland. Também lançou a música no LP dele ano passado. Se tu colocar Joe Queer no Google Images, vai ver inúmeras fotos dele usando camisetas da Flanders 72 e isso é uma coisa que eu nunca imaginei que poderia acontecer.

O lance é correr atrás mesmo, almejando sonhos altos, mas com os pés no chão, com humildade. E, falando em humildade, tá aí o maior exemplo de humildade: Rafael Malenotti. Nos conhecemos logo após o lançamento do nosso primeiro CD, South American Punk Rockers (2011). Convidamos ele para gravar uma música no Dummyland e ele topou. De lá pra cá viramos amigo e o admiro muito, pois o cara é um exemplo de simpatia e parceria a ser seguido.

O último disco, Atomic, foi lançado em 2016. Já tem coisa nova pintando? Dá pra adiantar pra gente?
Tscherniak: Tem sim, meses atrás gravamos um single para um compacto que vai sair em vinil na Alemanha. Também já estou compondo músicas para o quarto disco, em breve começaremos a trabalhar nele. 2018 vai ser um grande ano pra Flanders 72.

[Zine Conteúdo]

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