Talking Heads – Talking Heads: 77 (1977)

Capa de Talking Heads: 77

Há 40 anos, o Talking Heads, uma das bandas mais emblemáticas de todos os tempos, apresentava seu disco de estreia, Talking Heads: 77. O álbum trouxe as músicas idiossincráticas da banda nova-iorquina para um público mais amplo.

“Há algo essencial sobre perder o controle sobre o que você faz”, comentou a baixista Tina Weymouth sobre o disco de estreia para a revista norte-americana Rolling Stone em 1977. E, enquanto o Talking Heads certamente levaria essas palavras ao coração de sua carreira eclética e visionária, seu debut álbum é, em retrospecto, um tanto manso e direto em comparação com os “experimentos” que viriam na sequência da sua valorosa discografia.

Do ponto de vista musical, Talking Heads: 77 é o esforço mais conciso e linear da banda, estabelecendo a interação das guitarras de Jerry Harrison e David Byrne, os blocky rhythms de Tina Weymouth com a bateria de Chris Frantz, e a presença marcante de Byrne como frontman, aparecendo com sua “soluçante voz de robô” e as palavras de um “impressionista paranoico” e de “olhos arregalados”.

Talking Heads: 77 é um álbum básico, simples. Um dos exemplos é Tentative Decisions, faixa número 3 do lado A. A canção representa um dos momentos mais simplórios da banda. Nesta fase inicial, o quarteto nova-iorquino ainda não havia descoberto o funk, as tape loops e os colaboradores “aventureiros” como Brian Eno, que traria posteriormente toda a sua energia para o grupo.

Apesar de simples, o debut álbum do Talking Heads traz uma intensidade bruta e manchada. O trabalho é um registro distinto no catálogo dos nova-iorquinos e nele estão pérolas negligenciadas como Who Is It? e New Feeling.

O poderoso grito de David Byrne ainda era um ponto difícil para os puristas do pop. Porém, é um ingrediente essencial para a magia de seu único “surto de surpresa” no disco de estreia, a clássica Psycho Killer. Um hit “ameaçador”, ainda que despreocupado.

O primeiro álbum, de certa forma, começava a “apimentar” o som do Talking Heads. Seja o piano gospel em Happy Day ou a guitarra vertiginosa e florescente em Pullep Up.

Mesmo que o Talking Heads se movesse para coisas maiores e melhores após esse álbum, 77 segue sendo um ponto de entrada essencial e absolutamente fascinante para uma das bandas mais destemidas do rock em todos os tempos.

*Texto originalmente publicado no ClyBlog.

[Zine Conteúdo]

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