Eddie Vedder, irretocável

De São Paulo

eddie-vedder-1‘I have wished for so long
How I wish for you today’

Foi assim que começou o primeiro show do Pearl Jam no Brasil, em 2005. Eu estava lá.

Foi assim também que começou o último show em São Paulo da primeira turnê do Eddie Vedder no País, no dia 8 de maio de 2014. Eu também estava lá.

Nos primeiros acordes da poderosa Long Road, a confirmação do que eu imaginava desde o dia que anunciaram o show: a noite do dia 8 de maio seria memorável.

Na sequência vieram Brain Damage (Pink Floyd), Sometimes e Can’t Keep. Nas primeiras quatro músicas todo o investimento pra ir no show já estava pago.

Eddie Vedder mesclou com maestria músicas do Pearl Jam; da trilha do filme Into The Wild (Na Natureza Selvagem), do disco solo Ukulele Songs e covers. Cada canção era recebida com louvor pelo público, mas óbvio, algumas ainda mais que outras. Elderly Woman, Immortality, You’ve Got To Hide Your Love Away, Betterman, Hard Sun e Porch (ahhh Porch…) foram mais que especiais.

Vedder e suas anotações em português

Como se já não bastasse, Eddie foi um showman. Na hora que ele entrou no palco parecia tímido, até desengonçado. Poucas músicas depois estava falando suas já tradicionais anotações em português, pedindo permissão pra contar histórias em inglês, contando piadas, interagindo e sempre elogiando a plateia.

Na linda Just Breathe, ele convidou um casal que havia noivado no show da noite anterior para subir ao palco e acompanhar a música ao lado dele. Durante a canção, o casal se beijava, trocava juras de amor e ele ria. No final disse que tinha lido notícias horríveis durante o dia, que dava vontade de desistir, mas aquele momento ali no palco deu motivos pra voltar a acreditar nas pessoas, no amor. Falou que tudo aquilo merecia mais uma música romântica e daí tocou a pesadíssima Lukin. A galera caiu na risada. Chamou um fã também para cantar Should I Stay Or Should I Go do Clash com ele. Nada disso foi forçado, era tudo muito natural, muito sincero.

Glen Hansard foi perfeito fazendo o show de abertura e subiu ao palco várias vezes para acompanhar Eddie. Mas na hora que os dois cantaram a belíssima Falling Slowly de autoria do Glen foi incrível. Eu só pensava que precisava ter aquela música, aquela versão que os dois estavam tocando na hora, para escutar sempre.

Pra fechar com chave de ouro nada mais nada menos que o hino do rock (na minha opinião), Rockin In The Free World, do mestre Neil Young.

Ir no show do Eddie Vedder parece a mesma coisa que ir no show do seu amigo mais talentoso, que você não vê há anos. Não importa a distância e o tempo que vocês não se vêem, quando se encontram parece que foi ontem a última vez que passaram a noite conversando, bebendo cerveja e tocando violão.

30 músicas e quase 3 horas de espetáculo depois, ficou claro que o Eddie não estava mentindo quando cantou os primeiros versos de Long Road. Ele queria muito mesmo estar com a gente naquele dia.

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